A sociedade contemporânea tem sua forma peculiar de lidar com o tempo.  É nítida a sensação de que o tempo é pouco, mas o dia continua tendo as mesmas 24 horas de sempre. Diferente é a forma de lidar com o tempo. Este é o ponto que quero tratar aqui.

Os tempos modernos nos levaram a pensar que o tempo bem gasto é o tempo útil. A finalidade de viver passa a ser acúmulo de capital numa sociedade capitalista. E acumular capital para acumular mais capital. Tempo útil é aquele que se produz algo.

Dessa forma o homem fica preso a uma lista extensa de atividades nas mesmas 24 horas de seu dia. Ora, colocar a culpa na falta de tempo é arrumar um bode expiatório. As atividades que aumentaram! O mundo está mais complexo que nos séculos anteriores. Então, o tempo não é nosso inimigo, pois quando ele parece faltar é realmente só um “parecer”.

O tempo existe na mente do homem que marca o tempo. Afinal é o homem que o percebe, ele sabe que o tempo é eterno mas a vida da cada um terá seu fim [fim da vida terrena para aqueles que creem em algo além e fim MESMO, para os que não creem]. Então, se há opressão, ela está na alma do homem que percebe o tempo e não no próprio tempo. Talvez essa angustia da falta de tempo seja na verdade a vontade de sermos eternos.

É necessário “reformular nossos conceitos sobre o que é útil e reconhecer nossa finitude”. Primeiramente, é preciso eleger prioridades diante de nossas muitas tarefas. Depois, organizar o tempo. É preciso também superar a idéia de “utilidade” de tempo. Útil não é somente o que produz acúmulo de capital. E ainda, é necessário reconhecer nossas limitações – não dá para querer abraçar o mundo. Afinal no fim da vida o que importa não será o quanto ganhou, mas o quanto viveu.

Post inspirado no artigo: “O tempo não pára” de Patrícia Pereira matéria da Revista Filosofia Ciência & Vida.

8-)

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